Achei bastante preciso seu diagnóstico sobre o caminho de barbárie que parece estarmos escolhendo não só no Brasil, como no mundo: A crise de impunidade de classe social. A imagem feliz da andorinha carregando uma gota de água numa folhinha para apagar um incendio, causa incredulidade. E ela está fazendo o que lhe cabe, o que pode ser feito. E induz à ideia de que se todos contribuirmos por decisão isolada o problema pode ser resolvido. Esta imagem no entanto, me faz ocorrer outra: a de que o incendio não começou sozinho. Cada um de nós também contribuiu levando nossas galhinhos secos incendiados para aumentar o fogo.. Os 550 deputados e um tanto de senadores, milhares de prefeitos e vereadores, não apareceram do nada. Surgiram desta sociedade e foram votados por ela. Tinhamos opção? Escolhemos estas pessoas porque poderíamos garantir suas escolhas? Quem a meu ver traz um pouco de clareza sobre esta situação é Elias Cannetti em seu livro Massa e Poder. Nos não somos nós mesmos sozinhos ou numa multidão. Não sabemos o que esperar de nos mesmos na multdão, não só porque temos medo da solidão como também porque nos sentimos impotentes no meio delas. Eu me sinto forte em meu consultorio, onde carrego minhas gotinhas nas folhinhas de minhas crenças. Mas já me vi concordando com ideias da maioria, que depois julguei equivocadas.Talvez mais porque o tempo e o fracasso as desqualificaram. Mais coisas teríamos que saber sobre nós mesmos na condição de massa para entendermos mais a identidade pessoal e vice versa. Os corruptos acreditam que as gotinhas não fazem efeito. E acreditam que as massas também não acreditam. Talvez este conhecimento seja por sua vez apenas uma gota numa folhinha em direção à civilização. Ou não: algum poder coeso tomou conta das massas nas diretas já, (por mais controladas tenham sido pela midia), no impeachment do Collor e nas manifestações mais amadurecidas de agora, como voce disse.
Beijo por voce estar sempre jovem em seus combates.
Barreto:
ResponderExcluirAchei bastante preciso seu diagnóstico sobre o caminho de barbárie que parece estarmos escolhendo não só no Brasil, como no mundo: A crise de impunidade de classe social.
A imagem feliz da andorinha carregando uma gota de água numa folhinha para apagar um incendio, causa incredulidade. E ela está fazendo o que lhe cabe, o que pode ser feito. E induz à ideia de que se todos contribuirmos por decisão isolada o problema pode ser resolvido.
Esta imagem no entanto, me faz ocorrer outra: a de que o incendio não começou sozinho. Cada um de nós também contribuiu levando nossas galhinhos secos incendiados para aumentar o fogo.. Os 550 deputados e um tanto de senadores, milhares de prefeitos e vereadores, não apareceram do nada. Surgiram desta sociedade e foram votados por ela.
Tinhamos opção? Escolhemos estas pessoas porque poderíamos garantir suas escolhas?
Quem a meu ver traz um pouco de clareza sobre esta situação é Elias Cannetti em seu livro Massa e Poder. Nos não somos nós mesmos sozinhos ou numa multidão. Não sabemos o que esperar de nos mesmos na multdão, não só porque temos medo da solidão como também porque nos sentimos impotentes no meio delas.
Eu me sinto forte em meu consultorio, onde carrego minhas gotinhas nas folhinhas de minhas crenças. Mas já me vi concordando com ideias da maioria, que depois julguei equivocadas.Talvez mais porque o tempo e o fracasso as desqualificaram.
Mais coisas teríamos que saber sobre nós mesmos na condição de massa para entendermos mais a identidade pessoal e vice versa. Os corruptos acreditam que as gotinhas não fazem efeito. E acreditam que as massas também não acreditam.
Talvez este conhecimento seja por sua vez apenas uma gota numa folhinha em direção à civilização.
Ou não: algum poder coeso tomou conta das massas nas diretas já, (por mais controladas tenham sido pela midia), no impeachment do Collor e nas manifestações mais amadurecidas de agora, como voce disse.
Beijo por voce estar sempre jovem em seus combates.
Bel